Flores de Plástico
moon phases

Florzinha, pernambucana, 30 anos, um filho lindo, algumas desilusões e milhões de sonhos a realizar. Sonhadora e autoritária, tímida e festeira, melancólica e bem humorada, disciplinada e desorganizada. Um mar de contradições. Em síntese, ariana...



Terça-feira, Maio 10, 2005

Este blog mudou-se para um novo endereço. A partir de agora, as queridas visitas serão recebidas numa residência ampla, de interface amigável, vista panorâmica e visual bem cuidado.

À amiga Gi, obrigada pelo planejamento e construção da nova casa...

Florzinha às 5:32 PM


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Sexta-feira, Maio 06, 2005

Meu filho de nove anos, há cerca de um mês, me revela um de seus segredos [costumo ser sua habitual confidente]: está APAIXONADO por Mariana, colega da escola.

Oh céus, não pode ser! Mantenho a calma, pensamento em pleno redemoinho, pobre criança pré-adolescente... Medo que ele seja rejeitado, que a menina seja uma chata, que descubra a desilusão antes do que deveria, que pense em namoro tão cedo. Tento conversar com serenidade a respeito, mas meu coração de mãe fica apertado.

Hoje, ele me disse, com uma certa banalidade: não está mais apaixonado por Mariana. Segundo ele: primeiro, por que ela gosta de Luiz Felipe. E segundo, por que ela mesmo confessou isso aos outros, que contaram para ele. Não quer gostar de quem não gosta dele, haverá certamente outra menina mais bonita e com nome mais bonito. E o melhor [a doce vingança, hohohoho], Luiz Felipe não gosta dela, mas de Haiana, Maria Eduarda e Sofia. Sim, as três.

Concordo, comento que só vale a pena gostar de quem gosta da gente. E, ufa, felizmente ele não herdou o meu gene 'vou-morrer-de-amor-sempre-que-quem-eu-quero-não-me-quer'...

Florzinha às 7:28 PM


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Identificação total...

Florzinha às 11:56 AM


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Curitiba [não] me engana...

Curitiba não é a mesma. A cidade impecável que me impressionou há alguns anos por sua perfeição e fez buscar meios para sair de Recife exibe sinais nítidos de degradação. Violência, miséria exposta, favelas, tráfico de drogas. A cidade saudável com melhor qualidade de vida do país acabou por atrair mais gente do que deveria. O resultado está nas ruas, agora com pedintes, crianças de rua, gente sem rumo.

Em meio a tudo, o frio delicioso, o jeito de cidade correta, o 'como deve ser' uma cidade, a antipatia cordial do povo curitibano e as praças que eu mais amei na vida. Mais ainda, conheci a noite dançante, os bares cheios de gente bonita e com um ótimo atendimento, o comércio tentador. No final, é a mesma Curitiba que eu adoro loucamente.

Florzinha às 10:54 AM


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Quarta-feira, Abril 27, 2005


[Desenho de Carlos Zéfiro, estou maluca por eles, desse site aqui
Ah, os chefes, as chefes... Nossas relações são sempre tão ambíguas... É admiração, ódio, respeito, desprezo, carinho. No geral, sou uma subordinada disciplinada acima da média, bajuladora muito abaixo da média e intrometida muitíssimo acima da média. Nada mau.

O novo chefe é diferente. Lá pelos seus quarenta e tanto, exibe o corpo esbelto de homem bem cuidado, a fala sábia de homem experiente, o discurso politizado de homem engajado, o rompante encantador de homem determinado e - salve-se quem puder - o olhar quase verde de homem sedutor.

Ouço suas determinações com uma cara meio retardada, meio sacana. Desejar o chefe tem um quê de profano, é quase como quando eu, com colegas de infância, roubava hóstias na sacristia por que achava gostosas. Tem um quê de loucura, a figura com mil representações irresistivelmente freudianas. Tem um quê de proibido, ninguém [muito menos ele] pode sequer desconfiar...

Imagino coisas inimagináveis com o chefe, cenas lascivas do mais puro e descarado assédio sexual. Preciso ler toda a legislação relacionada ao assunto, para coibir minhas vontades animalescas para com o meu superior imediato [hmmmmmmmm]. E, agora, preciso dormir para acordar bem e terminar os formulários que ele solicitou. De preferência, sem sonhos...

Florzinha às 10:08 PM


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Ela chegou sozinha, determinada, sem olhar para os lados. Arrumou de leve a blusa cinza que fazia conjunto com a saia na altura do joelho. Mais de 50, menos de 60. Cabelos curtos e bem arrumados, não parecia procurar por algum conhecido quando entrou na boate. Todos acompanhados, conversando sobre nada, bebendo rapidamente, fumando em pequenos grupos, e ela convicta e indubitavelmente só. Som alto, noite de 'flashback', ela ocupa uma das mesas, bebe uma água tônica e vai para a pista dançar.

No início, admirei sua coragem. Ela dançava como se nada nem ninguém ali tivesse a menor importância, como se a vida começasse e terminasse nas mãos do DJ. Movimentos leves, discretos, quase conservadores. Olhava para o nada, não sorria nem demonstrava algum tipo de inquietação. Era só ela, a música, a pista, o DJ.

Depois, comecei a imaginar que era eu ali dançando, mais de 50, menos de 60, sozinha na pista. E ali mesmo, na minha imaginação, vieram lembranças atordoadas de uma história construída entre acertos e tropeços. Os amores desperdiçados, os filhos que ganharam o mundo, projetos empreendidos, perdas, momentos de puro prazer, sorrisos e desafetos, o homem por quem esperei e a quem amei. Não sei onde ele estaria naquele momento, se já longe dessa vida ou nos braços de algum outro amor que não era o meu. E eu ali, dançando.

Comecei a sentir medo daquela pessoa à minha frente, subitamente transformada em mim mesma. Rejeitei aquela solidão, aquela tristeza misturada com alegria, aquela liberdade melancólica. Quis estar aconchegada, segura, acompanhada. Quis dançar apenas uma música antiga na sala de casa, quase penumbra, quase sonho, mãos entrelaçadas e rosto colado ao rosto do homem-grande-amor. Quis ouvir as histórias do meu filho, tê-lo sempre por perto e ver o crescimento do filho do meu filho. Quis estar em qualquer lugar, menos numa boate enfumaçada.

Saí de lá na alta madrugada, ela continuava dançando.

Florzinha às 9:32 PM


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Terça-feira, Abril 26, 2005

Moreno, corpão, uma boca perfeita, cabelos curtos e levemente espetados. Alto, braços fortes, com uma tatuagem enorme num deles. Sobrancelhas milimetricamente desenhadas sobre lindos olhos escuros. Barriga, não há, pernas sobram. Com um tórax tão perfeito, o abraço não poderia ser menos aconchegante. Uma voz-canto-de-sereio e eu só pensava ai-meu-deus-o-que-eu-faço-com-tanta-abundância. Um pão, diriam minhas tias. Ele tem presença, disfarçariam meus amigos. Um gato, exclamariam minhas amigas. Eu apenas suspiro.

Na hora da decisão, digo: "não me leve a mal... você é muito legal, não é nada com você... é apenas por que você..."

Titubeio.

E ele, já preocupado: "pode ser sincera."

"Errrrrrrrrrrr... você é bonito demais. Um tom acima do desejável pra mim."

Vexame e glória. Dispensei uma apoteose de espetáculo de homem pelo fato de ser uma apoteose de espetáculo de homem. Demais para o meu ciúme, demais para a minha loucura. Às vezes nem eu acredito nas coisas que faço.

Florzinha às 9:24 PM


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Sábado, Abril 23, 2005

Dueto
Chico Buarque/1979

Consta nos astros
Nos signos
Nos búzios
Eu li num anúncio
Eu vi no espelho
Tá lá no evangelho
Garantem os orixás
Serás o meu amor
Serás a minha paz

Consta nos autos
Nas bulas
Nos dogmas
Eu fiz uma tese
Eu li num tratado
Está computado
Nos dados oficiais
Serás o meu amor
Serás a minha paz

Mas se a ciência provar o contrário
E se o calendário nos contrariar

Mas se o destino insistir
Em nos separar
Danem-se

Os astros
Os autos
Os signos
Os dogmas
Os búzios
As bulas
Anúncios
Tratados
Ciganas
Projetos
Profetas
Sinopses
Espelhos
Conselhos
Se dane o evangelho
E todos os orixás
Serás o meu amor
Serás, amor, a minha paz

Consta na pauta
No Karma
Na carne
Passou na novela
Está no seguro
Pixaram no muro
Mandei fazer um cartaz
Serás o meu amor
Serás a minha paz

Consta nos mapas
Nos lábios
Nos lápis
Consta nos Ovnis
No Pravda
Na vodca

Florzinha às 12:29 AM


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Quinta-feira, Abril 21, 2005

Olho para ele, homem a quem dediquei uma paixão louca e atormentada. Acabamos de ter um sexo assim, sem graça, quase nada, daqueles momentos que não podem lembrados sem uma certa amargura. Ele está sentado à minha frente, visivelmente mais gordo, mais cansado, menos magnetizante. Agora, é apenas um homem casado, que certamente terá que passar na padaria antes de voltar para casa.

Antes, era o Dono de todas as minhas fantasias. Parecia o meu igual, sendo tão diferente de mim. Causava-me alegria e medo, tesão e carinho, deleite e insegurança. Gostava de vê-lo dormir. Também gostava de vê-lo caminhar ao meu lado, sempre tão maior que eu. Presença cheia de mistério e descobertas. Era o homem que eu queria.

Olho para ele e o percebo distante, normal. Parece ter perdido a aura de perversão e loucura que me atraiu. Parece preso e enquadrado num papel que escolheu, como tantos outros homens que conheci, como aquele a quem abandonei há alguns anos. Choro de mágoa por suas palavras duras, de saudade do que tivemos, de tristeza pelo fim medíocre. Conversamos sobre banalidades.

Vejo ele ir embora, descendo a escada estreita e escura do meu prédio. Parece menor, parece menos interessante. O meu olhar mudou ou foi ele? Não importa. Não vejo nada nele que não possa ver em mim, ou nos outros, ou no mundo, tudo tão igual e cinza. A mulher em mim, ainda aflita, me convida para dançar. Dançamos timidamente um som lento e melancólico, mas percebo que seus olhos brilham. A mulher em mim quer sempre mais e não foge à realidade, por menos cores que ela possa ter. Ouço ele abrir o portão e sair. Só então, num sobressalto, me dou conta de que esqueci de avisá-lo que a padaria que fica embaixo do meu prédio vende um pão delicioso.

Florzinha às 1:22 PM


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The captain of her heart [Kurt Maloo / Hang]

It was way past midnight
and she still couldn't fall asleep.
this night the dream was leaving
she tried so hard to keep

And with the new day's dawning
she felt it drift away.
not only for a cruise
not only for a day

Too long ago, too long apart
she couldn't wait another day for
the captain of her heart.

As the day came up, she made a stop
she stopped waiting another day for
the captain of her heart.

Florzinha às 12:01 PM


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